domingo, setembro 30, 2007

no rain


o vazio de se saber o que quer mas não saber o que de fato se tem. o final das somas é sempre zero. flutuando numa dormência diária, como se o seu mundo fosse em câmera lenta e o tempo correndo louco lá fora. já não tem mais forças, não consegue mais ter planos. jaded. o vácuo que suga pra dentro de si o dentro de mim. o pé das pendências no peito, esmagando a inspiração de qualquer sentimento ou sentido. afinal, é ou está? realidade ou momento? a dor de se sentir só e desnuda em meio a tanto querer. um guarda-chuva sem sombra num dia de sol. o nariz do palhaço sem graça, aposentado no baú do não-presente. não sabe mais aonde os passos vão levá-la, e não se importa de verdade com isso. adormeceu no mundo do tanto faz, entregou-se ao vento fraco, pesada demais pra voar, morta demais pra brotar.
não sabe se o que tem é o que lhe pára ou se não adiantar ter mais nada. e tudo o que não palpita na caixa torácica, explode lá fora sem nexo nem pudor. não tem controle daquilo que se é fora do seu escuro. e escurece ainda mais, a cada buraco de luz que se fecha, entupido pelos fragmentos de si mesmo que se perdem a cada explosão. descontrói-se a cada inquietação indevida, reconstrói-se cada vez mais diferente e no fundo, mais igual. com a certeza do que não quer ser, com a incapacidade de ser qualquer outra coisa diferente. até sabe que não é aquilo, mas ainda sim vê-se desse jeito. sente desse jeito.. aprendeu desse jeito. e quer ser tudo sem saber quanto. quer ter tudo sem saber reter. de repente tudo parece tão solto que não sabe se vale a pena segurar. de fora todo mundo quer ser assim, sem saber o que implica, sem saber que a fonte de tudo é um grande vazio.. que a desenvoltura nada mais é que mais uma explosão da falta de valores concretos, o sorriso constante marca a constância da falta, ri porque não sabe fazer outra coisa.. porque não tem mais o que fazer, já não há mais lágrimas pra chorar sem saber o porquê.

terça-feira, setembro 25, 2007

everything in it's absent place (v. polar 01)

o corpo acordou sozinho. a mente ficou presa num sonho qualquer - realidade opaca, um filtro não-absorvente de sentidos. ao mesmo tempo em que algumas sensações simplesmente não faziam mais sentido... ouvia demais, doía demais; via de menos, fazia sentido de menos. de repente se via numa existência meramente química - enzimas e hormônios reagiam partículas de moléculas, células dormentes se excitavam indiscriminadamente, passos rastejantes numa realidade pesada, porém ausente. não estava ali, não pensava ali. o corpo realizava as mesmas reações costumeiras, piloto automático, looping rotineiro da não-existência. já não entendia muito bem aqueles sons, só sentia que lhe doíam sem sentido.. não conseguia entender o que via, a névoa ofuscava o raciocínio já lento e sobrecarregado de inutilidades do cotidiano passado, de futilidades do futuro faz-de-conta. Tudo parecia muito, de fato o era em meio a tanta desconstrução.. fragmentos de vida flutuavam ao redor do que já não era mais realidade, viajou no tempo passado-futuro-presente ao mesmo tempo. nada coexistia, choque estridente de realidades distintas, como explosões de moléculas reagentes, resultando num nada geral. boom. forças opostas se anularam. sem lugar, a vida pôs-se em espera - stand by intermitente. até a próxima...

Everything
Everything
Everything
Everything in its right place
In its right place
In its right place
In its right place

Yesterday I woke up sucking a lemon
Yesterday I woke up sucking a lemon
Yesterday I woke up sucking a lemon
Yesterday I woke up sucking a lemon

Everything
Everything
Everything
Everything in its right place
In its right place
In its right place
Right place

Ive got two colours in my head
Ive got two colours in my head
What was that you tried to say?
What was that you tried to say?
Tried to say
Tried to say
Tried to say
Tried to say

Everything in its right place... (to end)


agora te saquei, Thom Yorke.

segunda-feira, setembro 10, 2007

intermitências da vida (ou descoletivo)

a morte prolongada de quem vive do mesmo, sempre. parou enquanto a vida foi-se embora.. prendeu-se à intermitência da vida. buraco, vácuo. vazio do que não foi nem será, contraste gasto do que simplesmente não é. nada mais existe de fato. (só). e não se sabe mais ao certo o que é ou era, o que foi ou deveria ter sido.. névoa constante na serra do concreto. amargura de pendências alheias, amarras da solução coletiva. não sobrevive mais individualmente nesse coletivo individualizado.. cansou do seu nosso... parou de funcionar há tempos (teria alguma vez funcionado?) intermitência coletiva, intermitência da verdade. vamos jogar tudo num buraco e esperar.. esperar qual sentimento entope primeiro.. o meu, o seu, o nosso? o meu nosso deixou de ser meu... deixou de ser. de volta às intermitências. desviva, desvira, revira o estômago desgastado pela acidez do choro engolido, úlceras de meias verdades, gastrite crônica de mal resolvidos. a sua certeza não é minha.. coletive-se... coletive-me no seu nosso. coletive-se em mim.. talvez intermitência da morte.. vivendo sem morrer.. frustração eternamente viva.. assim, sem vida, sem forças, sem convicções. o concreto deixou de ser.. seu concreto subjetivo.. intermitência da realidade. fuga eterna da solução.. eterna dissolução. solução supersaturada de falta de solução.. suspensão. são os flocos de mim que pousam no fundo enquanto a água se finge de limpa.. intermitente pura.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

carcereu

Ilustre inquilino no cárcere de si mesmo. Perdeu as chaves da boca pra fora... perdeu-se da boca pra dentro... encarou o forro das pálpebras como a um eloqüente interlocutor, por monólogos em via de mão dupla, tráfego intenso em linha contínua. O teso travar dos dentes, como um alicerce mental, fincou os pés de sua consciência enquanto o furacão de cenas reprisadas passa... passa.. passa.. passa... como se não bastasse apenas já terem sido, queriam ser novos, releituras genéricas pelo puro prazer de uma análise quente rápida fria mórbida - do avesso se se pudessem - só para tomarem nota do que poderiam ter sido... e não foram, nunca foram, não serão... mas disso não querem saber. Qualquer que seja a hora, seu hipotético síndico acha que já se foi, mas que se fosse outra, talvez mais cedo, ou talvez mais tarde, seria a certa. O forro da vista agora é cinza, 03:17 reluz em vermelho sangue, borrado como chuva em vidro quente, lembra-o que amanhã já é e o tempo tem seu monólogo próprio.. Procura outra coberta, amassa mais o travesseiro, aninhando-se como se a parede fosse uma esponja para as despertadoras rajadas de pensamento na esperança de que o outono do sono passe, e as folhas de descanso regressem do cárcere de si mesmas.. cárseure.

desse lado o colchão é muito mole. desse ficou duro. bendita dor nessa orelha. de onde vem tanta claridade? preciso de uma coberta maior, das que cobrem a cabeça. talvez um travesseiro mais alto, maldita dor no pescoço. essa fronha que me arranha. onde deixei o copo d'água? relógio barulhento.. já passou das três.. liguei o despertador? mais meia hora, que seja, pela demora do sono.. ai? o que é isso aqui.. melhor se não tivesse os braços. maldita cama estreita.. se chover amanhã como faço.. ela ou ele.. hoje? bicicleta verde, árvore ônibus relógio
sono
lençol
ivro
gua
nela
reira
braz
inco
ris
sr
z
z
z
z.