o vazio de se saber o que quer mas não saber o que de fato se tem. o final das somas é sempre zero. flutuando numa dormência diária, como se o seu mundo fosse em câmera lenta e o tempo correndo louco lá fora. já não tem mais forças, não consegue mais ter planos. jaded. o vácuo que suga pra dentro de si o dentro de mim. o pé das pendências no peito, esmagando a inspiração de qualquer sentimento ou sentido. afinal, é ou está? realidade ou momento? a dor de se sentir só e desnuda em meio a tanto querer. um guarda-chuva sem sombra num dia de sol. o nariz do palhaço sem graça, aposentado no baú do não-presente. não sabe mais aonde os passos vão levá-la, e não se importa de verdade com isso. adormeceu no mundo do tanto faz, entregou-se ao vento fraco, pesada demais pra voar, morta demais pra brotar.
não sabe se o que tem é o que lhe pára ou se não adiantar ter mais nada. e tudo o que não palpita na caixa torácica, explode lá fora sem nexo nem pudor. não tem controle daquilo que se é fora do seu escuro. e escurece ainda mais, a cada buraco de luz que se fecha, entupido pelos fragmentos de si mesmo que se perdem a cada explosão. descontrói-se a cada inquietação indevida, reconstrói-se cada vez mais diferente e no fundo, mais igual. com a certeza do que não quer ser, com a incapacidade de ser qualquer outra coisa diferente. até sabe que não é aquilo, mas ainda sim vê-se desse jeito. sente desse jeito.. aprendeu desse jeito. e quer ser tudo sem saber quanto. quer ter tudo sem saber reter. de repente tudo parece tão solto que não sabe se vale a pena segurar. de fora todo mundo quer ser assim, sem saber o que implica, sem saber que a fonte de tudo é um grande vazio.. que a desenvoltura nada mais é que mais uma explosão da falta de valores concretos, o sorriso constante marca a constância da falta, ri porque não sabe fazer outra coisa.. porque não tem mais o que fazer, já não há mais lágrimas pra chorar sem saber o porquê.
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