quinta-feira, novembro 09, 2006

pensar escurece

fazer não me pensa
pensar não me faz
mas enlouquece
o não-fazer da vida
o tempo que já se foi
mas que nem passou no dia
e já se foi
virou memória escondida
a verdade da mentira
que fez vibrar
mas utopia.


Boa parte da vida tentei tanto fugir dos clichês, neguei a simplicidade redundante das coisas óbvias... me perdi num maremoto de subjetividade. (ou porque não, tsunami, pra ser assim mais modernosa) Nada simplesmente era, só em pensamentos, sonhos.. e toda a deliciosa baboseira de quem pouco de fato faz. Subjetivismo só se valida enquanto sonhos e acertos, depois da terceira merda despretensiosa, se torna mera desculpa para continuar a se sujeitar ao que, em sã consciência, não se aceitaria. Alguns chamam isso de amor... eu digo que o poeta morreu só e mal comido. (afinal, só Chico Buarque pode.) Alente-se no pragmatismo da ação, deleite-se no calor da atitude, na faísca de cada movimento, naquilo que você pode mudar e moldar, no que lhe responde com voz que não seja sua, no que te faz perceber toda a intensidade de um toque. Reaja a você mesmo. Desenlace-se do sonho ao qual nós mesmo costumamos nos prender.

segunda-feira, outubro 30, 2006

descomeçar

Mais fácil era quando as palavras definiam o sentir.. mais fácil entender.. mais fácil demonstrar.. mais fácil ser o que se acredita - e saber no que se acredita - o quê que define a segurança; Por acreditar que algo ainda pode ser sagrado é que se tem fé na vida, mas fé nos conceitos simples do dia-a-dia.. no respeito por si mesmo e pelo outro. Mas parece que quanto mais se convive, menor se torna a camada de respeito ao seu redor... desintegração. O pior foi ter se rendido ao "melhor" do mundo, sem saber que o pior vem da mesma fonte. É sufocante a falta de se ser a melhor companhia, de saber (e sentir) que apesar de tudo se tem a si mesmo... um ser diferente do convencional... desconvencionar o mundo. E quando se pensa que o meio termo é calma, descobre e entende que de mais ou menos não se vive.. certo ou errado que só venha o quer for inteiramente intenso, verdadeiramente vivo.


"da metade já basta a verdade
só se quer amor inteiro... tempo
é surreal, quantidade inerte
que aprisiona a comodidade
sufocante. esgota a
flexibilidade da mudança.
engessa pelo medo do que
já se foi. mas que insiste em
reviver. como releitura pós-
moderna, colagem dos melhores
momentos que não são."

terça-feira, outubro 24, 2006

recomeçar

Fazia tempo que não parava pra pensar... parece que a felicidade é inversamente proporcional ao tempo que se gasta pensando na vida. Não que a tristeza tenha me tocado, é apenas aquele universo íntimo fazendo falta. Pensamentos abstratos e despretensiosos que recheiam o travesseiro... e o travesseiro forrado de discussões internas e violentamente fugazes, daquelas que de tão ágeis levam o sono, mas ainda deixam o vazio... um vazio de objetividades - porque as loucuras permanecem onde sempre repousaram - só que agora freneticamente em guarda, à espera da luz que para elas nunca chega. Amanhecer ao meio-dia, a ressaca mental dá corda na caixinha da mesmice, o balé da rotina já vem tarde.. trazer com seu andamento um pouco de lucidez - forçada, porém mais organizada.

E me reinvento a cada verdade que me organiza.. as certezas absolutas viraram um mar de piratas... tapa-olho . tapa-palavra .. de repente só eu me entendo nas intermitências do que não sei mais como certo, mas que o cérebro acredita que sei, do jeito dele. Uma sopa de palavras e significados, sinapses nervosas de desorientação... o dicionário partiu ao meio e o significado que vier primeiro faz o par com quem estiver na frente...

intermitente

do Lat. intermittente

adj. 2 gén.,
não contínuo;

que tem interrupções ou intervalos;

que pára por intervalos.