quinta-feira, novembro 09, 2006

pensar escurece

fazer não me pensa
pensar não me faz
mas enlouquece
o não-fazer da vida
o tempo que já se foi
mas que nem passou no dia
e já se foi
virou memória escondida
a verdade da mentira
que fez vibrar
mas utopia.


Boa parte da vida tentei tanto fugir dos clichês, neguei a simplicidade redundante das coisas óbvias... me perdi num maremoto de subjetividade. (ou porque não, tsunami, pra ser assim mais modernosa) Nada simplesmente era, só em pensamentos, sonhos.. e toda a deliciosa baboseira de quem pouco de fato faz. Subjetivismo só se valida enquanto sonhos e acertos, depois da terceira merda despretensiosa, se torna mera desculpa para continuar a se sujeitar ao que, em sã consciência, não se aceitaria. Alguns chamam isso de amor... eu digo que o poeta morreu só e mal comido. (afinal, só Chico Buarque pode.) Alente-se no pragmatismo da ação, deleite-se no calor da atitude, na faísca de cada movimento, naquilo que você pode mudar e moldar, no que lhe responde com voz que não seja sua, no que te faz perceber toda a intensidade de um toque. Reaja a você mesmo. Desenlace-se do sonho ao qual nós mesmo costumamos nos prender.